Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Parece-lhes bem?

 

 

           

Fez eco em todos os meios de comunicação a aprovação do novo Estatuto do Aluno.

Para o Partido Socialista foi finalmente aprovado um estatuto “sério” e “a sério”, que “defende” o aluno até a exaustão, sem castigos porque isso de castigos e penalizações é coisa de terceiro mundo.

Olhando para as declarações de Mª de Lurdes Rodrigues ao Diário de Notícias podemos extrair toda a bondade do referido documento.

“…O rigor não é avaliado pelo tipo de punição, mas pelo esforço que faz em corrigir o comportamento. Os que chumbam têm uma enorme probabilidade de abandonar o ensino. Parece-lhes bem? (sublinhado nosso) Desistir dos jovens? Porque num momento qualquer lhes apetece mais o sol do que estar na escola, desistimos, deixamo-los. Não. Devem ser accionados mecanismos de chamada de atenção para que ele saiba que foi apanhar sol de manhã e que à tarde espera-o trabalho suplementar.”

Mª de Lurdes Rodrigues,  Diário de Notícias,  30-10-2007.

 

É assim mesmo senhora ministra!!! Devemos dar todas as oportunidades aos meninos; se falta no primeiro período, ainda tem oportunidade de estudar no segundo; se falta no segundo, ainda tem oportunidade de estudar no terceiro; se falta o ano todo ainda tem o “exame” final no qual, com duração de pouco mais de uma hora, os professores têm oportunidade e tempo mais que suficiente para verificar comportamentos, atitudes, valores e conhecimentos.

Concordo consigo senhora ministra; tem “algum jeito???!!!” estarmos na cauda da Europa em termos de qualificações e quando o governo, preocupado com as estatísticas internacionais, apresenta um estatuto “brilhante” vêm esses “ignorantes” (políticos de quase todos os quadrantes, professores e sindicalistas) colocar objecções a tão “perfeito” documento.

  Senhora ministra, esses críticos queriam que as escolas estivessem abertas durante a semana só para os alunos assíduos, ao domingo para os absentistas e o sábado ficaria reservado para os professores elaborarem fichas e outros materiais que seriam aplicados ao domingo.

Mas, senhora ministra, isso seria desumano, obrigar uma criança ou um jovem que está habituado a não ter obrigações nem responsabilidades ter que ir um dia por semana à escola!!!?? Então não se vê, sem qualquer dificuldade, que o seu modelo é muito melhor.

E o que muda de substancial com o novo estatuto?

“A grande diferença: acreditar que os professores e as escolas têm os meios, têm a capacidade de avaliação e têm de ter os instrumentos para poder intervir e corrigir essa situação. Não é necessário que um comportamento pior no primeiro período comprometa o segundo e o terceiro. Isso sim é facilitismo. Um aluno falta no primeiro período e no segundo e terceiro já está fora da escola, já ninguém se interessa por ele. É um aluno abandonado. Pelos pais que não lhe justificaram as faltas e pela escola que não quis saber. E falta de crença até na possibilidade que os adultos, os professores, têm de corrigir comportamentos e até de educar. Os professores têm ou não têm essa capacidade? (sublinhado nosso)

 Mª de Lurdes Rodrigues,  Diário de Notícias , 30-10-2007.

 

Claro que têm capacidade senhora ministra. Os professores, depois da aprovação do estatuto com que a senhora os presenteou (passaram de bestas a bestiais) são capazes de tudo ou quase tudo; só não são capazes de uma coisa - explicar a uma criança ou jovem que, tendo um percurso anual de assiduidade e pontualidade, respondendo às múltiplas solicitações por parte dos professores, desenvolvendo comportamentos e atitudes ao longo do ano lectivo tem o mesmo reconhecimento que o percurso de um seu colega que a escola  viu duas ou três vezes ao longo do ano lectivo.

Mas, senhora ministra, esta tarefa é demasiado exigente para um professor, isto é pedir-lhe demais; esta é uma tarefa à altura do seu “brilhantismo”

Senhora ministra, o “nosso” primeiro-ministro talvez lhe vá pedir ajuda para explicar o Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) às pessoas de Mação, dado que o nome do Concelho nem sequer figura no documento.

Será se a Administração Central, prevendo, em 2008, gastar ZERO em Mação, quer nomear o concelho para o PRÉMIO “CONTIBUTO DE OURO PARA REDUÇÃO DO DÉFICE”.

Amigo leitor, este estatuto e este PIDDAC, parecem-lhe bem?

José António Almeida

 

publicado por José António Almeida às 12:58

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Junho 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30

.posts recentes

. Mentes brilhantes

. Os Novos Heróis de Mação ...

. Depressões degradantes...

. Não vai ser fácil substit...

. Infantilidades e brindes

. Infantilidades e preserva...

. Privilégios e Diferenças....

. Tem a palavra Srª Deputad...

. A solidariedade ainda é o...

. CEM MIL PROFESSORES A PED...

.arquivos

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

blogs SAPO

.subscrever feeds